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A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de 26 anos, natural de Pouso Alegre (MG), voltou ao Brasil após receber indultos reais de autoridades tailandesas enquanto cumpria pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia.

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Em fevereiro de 2022, Mary Hellen e outras duas pessoas foram presas ao desembarcar no aeroporto de Bangkok, capital da Tailândia, com 15,5 quilos de cocaína nas bagagens. A quantidade da droga foi avaliada em cerca de R$ 7,5 milhões na época.

Em nota, a advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável pela defesa de Mary Hellen, informou que ela retornou ao Brasil no dia 5 de setembro, após ser beneficiada por indultos reais concedidos pelas autoridades tailandesas, que “reduziram significativamente o período de cumprimento da pena e possibilitaram sua saída do sistema prisional”.

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Mary Hellen foi condenada a 9 anos e 6 meses de prisão, além do pagamento de R$ 105 mil, diz defesa Foto: Arquivo Pessoal

A brasileira foi condenada a 9 anos e 6 meses de prisão, além do pagamento de multa de 750 mil baht, valor aproximado de R$105 mil à época, informou a defesa.

“Durante o período de encarceramento, ela trabalhou na unidade prisional e manteve conduta exemplar, circunstâncias que contribuíram para que fosse alcançada pelos benefícios dos indultos reais coletivos, concedidos conforme os critérios e procedimentos estabelecidos pelas autoridades da Tailândia”, esclareceu Kaelly Moreira.
Além disso, a defesa afirmou que o caso da jovem foi marcado por “obstáculos significativos”, dificuldades de acesso e limitações na assistência consular prestada pela Embaixada brasileira, que tornaram “ainda mais complexo o acompanhamento de sua situação”.
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Com o retorno de Mary Hellen ao Brasil, a defesa argumentou que a prioridade passa a ser a reconstrução de sua vida, a retomada dos vínculos familiares e a readaptação.
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O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Bangkok, disse que tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou a devida assistência consular.
De acordo com a pasta, o atendimento prestado pelo Estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional.
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Relembre o caso
Mary Hellen e um amigo, com 27 anos à época, chegaram à capital tailandesa em voo procedente de Curitiba (PR) em fevereiro de 2022.
Um jovem que tinha 24 anos desembarcou horas depois, em outro voo vindo da capital paranaense. Funcionários do raio-X do aeroporto desconfiaram do conteúdo das malas e as levaram para revista.
As bagagens de Mary Hellen e de seu amigo tinham 9 quilos de cocaína em um compartimento oculto. Já o outro rapaz levava 6,5 quilos da droga em duas malas. Os três foram detidos e, depois, levados para um presídio de Bangkok.
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Autoridades da Tailândia disseram que funcionários do aeroporto descobriram compartimentos ocultos nas malas Foto: Reprodução
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A família de Mary Hellen soube da prisão porque a jovem enviou um áudio por um aplicativo de mensagens pedindo ajuda. Chorando, ela citou o contato de um advogado a quem deveriam pedir para “fazer alguma coisa” e “mandar a gente responder no Brasil”. Conforme a irmã, Mariana Coelho, os familiares não sabiam do envolvimento da jovem com o tráfico de drogas.
Quem é Mary Hellen?
Segundo relato da família na época, Mary Ellen havia conseguido um emprego em uma churrascaria distante de casa e passou a morar sozinha. Emocionada, ela não conseguiu continuar a entrevista e pediu para o marido, o pedreiro Anderson Edson de Oliveira Souza, falar com a reportagem.
Anderson contou que Mary Hellen nasceu no Rio de Janeiro e veio com a mãe e quatro irmãos para Pouso Alegre, no sudeste de Minas. Com dificuldade no relacionamento com a mãe, aos 13 anos, a menina passou a viver com a irmã. “Ela sempre trabalhou, ou como chapeira em hamburgueria, ou de atendente de balcão, com o que aparecia. Mas isso que aconteceu pegou todo mundo de surpresa”.
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“Não estamos classificando ela como santa, a gente sabe que tráfico de drogas não é legal em lugar nenhum do mundo, mas ela é brasileira. Ela tem de responder aqui. O que a gente espera é que ela seja extraditada, da mesma forma que o Brasil extradita quando um asiático, um estrangeiro comete um crime aqui. Não só ela, mas também os dois que foram presos lá são brasileiros. Quando me apresentei ao Exército, prestei juramento à bandeira do Brasil. Espero que o Brasil não abandone a gente agora”, disse Anderson na época.


