"True Q" é o sexto episódio da sexta temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 132o episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 26 de outubro de 1992. Foi escrito por René Echevarria e dirigido por Robert Scheerer. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, a jovem Amanda Rogers chega na nave e começa a demonstrar habilidades sobre-humanas, com Q aparecendo para investigar se ela pertence ao Contínuo Q. A história que deu origem a este episódio se chamava "Q Me?" e foi proposta por um menino de dezessete anos chamado Matt Corey, tendo sido recebida pela equipe de The Next Generation na mesma época que eles abandonaram uma história envolvendo Q depois de tentarem fazê-la funcionar por mais de um ano. Este foi o primeiro episódio escrito por Echevarria como membro fixo da equipe de roteiristas. Uma grande mudança nas intenções de Q na história foi adicionada durante as filmagens. "True Q" teve uma das melhores audiências da temporada e a recepção da crítica especializada foi positiva.

Enredo A jovem aspirante a bióloga Amanda Rogers sobe a bordo da USS Enterprise, porém logo demonstra habilidades incomuns, conseguindo redirecionar uma carga pesada caindo e conter uma explosão do núcleo de dobra. Q aparece e revela que ela pertence ao Contínuo Q, tendo sido concebida por outros dois Q que escolheram viver como humanos. Ele quer ensinar Amanda como controlar seus poderes e decidir se ela irá para o Contínuo Q ou continuará a viver como uma humana. Uma investigação revela que os pais de Amanda morreram em um tornado na Terra, algo aparentemente quase impossível por causa dos controles climáticos do planeta. Q revela que na verdade os pais da jovem foram mortos pelo Contínuo Q e que seu verdadeiro objetivo é determinar se Amanda realmente é uma Q ou uma híbrida, devendo destruí-la caso for este último. Q e o capitão Jean-Luc Picard discutem sobre isso, mas Q garante que já concluiu que Amanda é realmente uma Q e assim sendo tem uma escolha: ir viver com o Contínuo Q ou ficar com os humanos, porém neste último caso ela não poderá usar seus poderes. Q revela a Amanda que seus pais receberam o mesmo aviso, mas não foram capazes de controlar sua vontade de usar seus poderes e assim foram mortos por causa disso. A Enterprise recebe um pedido de socorro de um planeta sofrendo de problemas atmosféricos gravíssimos. A nave corre para ajudar, mas tem dificuldades em resolver os problemas. Q provoca Amanda dizendo caso ela escolha viver como humana, será muito difícil resistir a vontade de usar seus poderes em casos como esse. Ela decide usar seus poderes para restaurar a atmosfera do planeta e salvar seus habitantes. Amanda então parte para o Contínuo Q, mas antes se despede da tripulação da Enterprise.

Produção

O personagem Q apareceu de forma recorrente em todas as temporadas de Star Trek: The Next Generation desde a primeira, mas não na quinta. Duas histórias envolvendo o personagem mesmo assim foram desenvolvidas, "Q-lympics" e "Q Makes Two". Esta última envolveria Q duplicando toda a tripulação da USS Enterprise, com cada versão assumindo uma característica psicológica diferente da outra. Entretanto, isto forçaria os roteiristas a delinearem doze personagens, cada um com sua própria personalidade. Além disso, essa duplicação de personagens forçaria quase todas as cenas a terem algum tipo de efeito visual, o que não seria prático do ponto de vista da produção. A história foi trabalhada por mais de um ano, com o roteirista René Echevarria inclusive criando três versões ao se juntar à equipe na sexta temporada, porém ela finalmente foi abandonada. Por volta da mesma época que "Q Takes Two" foi descartada, a equipe recebeu a proposta de "True Q", na época chamada "Q Me?" e um nome que permaneceria o oficial até depois do fim das filmagens. A história foi enviada por Matt Corey, na época um menino de dezessete anos da Carolina do Norte. O enredo original envolvia Wesley Crusher, um caso de amor adolescente e uma gravidez indesejada, com o papel convidado principal de um jovem que descobre que é um Q criado de forma específica para que o próprio Corey pudesse interpretá-lo. Echevarria gostou da proposta e a equipe considerou que ela se encaixava no desejo do produtor executivo Michael Piller de fazer Q assumir um tom mais malévolo. O roteirista recebeu permissão da coprodutora executiva Jeri Taylor para ligar pessoalmente para Corey a fim de informá-lo que sua história seria comprada. Echevarria enfrentou algumas dificuldades no desenvolvimento do roteiro, a maioria por sua inexperiência em trabalhar como membro fixo da equipe de roteiristas, tendo que lidar com prazos mais rígidos e descobrir que páginas do roteiro com diferentes cores indicavam diferentes partes reescritas. Ele disse que o personagem de Q não lhe interessava muito, mas gostou deste episódio porque tinha diferenças sobre aparições anteriores do personagem, comentando que Q "tinha uma presença maliciosa e maligna, mas era mais sobre a garota e sua jornada. Tinha elementos de Bewitched e uma adolescente amadurecendo, se empoderando e toda aquela coisa boa". Echevarria também admitiu que "True Q" tinha certa semelhança com "Hide and Q", da primeira temporada, mas achou que desta vez a história foi executada melhor. A cena em que Q ameaça matar Amanda não estava no roteiro original e foi adicionada durante as filmagens, uma alteração feita por Piller para aumentar a tensão. Isto foi inserido no terceiro ato da história, mas nessa altura da produção a maior parte do quarto ato já tinha sido filmado, fazendo especialmente com que a cena de romance e fantasia de Amanda com o comandante William Riker no holodeque parecesse deslocada. Echevarria reconheceu que o quarto ato teria sido muito diferente caso tivessem incluído a ameaça de Q desde o início, mas achou que "Aquilo funcionou muito bem de um jeito estranho". Uma cena entre Amanda e a conselheira Deanna Troi foi cortada por questões de tempo. A cena da ruptura do núcleo de dobra foi criada ao jogar nitrogênio líquido no cenário, com uma animação de alargamento e conserto adicionada na pós-produção.

Repercussão

Audiência "True Q" foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana de 26 de outubro de 1992. Registrou um índice Nielsen de 13,7, refletindo a porcentagem de residências que assistiram o episódio durante a estreia. Foi a quarta melhor audiência da sexta temporada, atrás apenas dos episódios "Aquiel", "Relics" e "Time's Arrow, Part II" empatado com "Tapestry". "True Q" foi depois reprisado na semana de 9 de janeiro de 1993 e desta vez registrou uma audiência de onze por cento.

Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor achou que este era um episódio divertido, apesar não ser "nem o melhor nem o pior episódio de Q". Ele elogiou a atuação de John de Lancie como Q e o relacionamento entre Amanda e a doutora Beverly Crusher, mas achou que o final da história era muito previsível, especialmente pela existência de "Hide and Q". Mesmo assim, DeCandido achou que a jornada de Amanda para conhecer e aceitar seus poderes foi realista. Zack Handlen da The A.V. Club achou que "True Q" funcionava melhor que "Hide and Q" porque o roteiro era melhor, o episódio melhor produzido e porque Amanda era uma personagem convidada, criando um suspense se Amanda iria aceitar seus poderes. Também elogiou a atuação da atriz Olivia d'Abo como Amanda, mas no final achou que a história tinha pouca consequência para a série. Jamahl Epsicokhan da Jammer's Reviews comentou que "'True Q' é um conto intrigante que proporciona uma visão única de Q", elogiando de Lancie por ser tanto "paternal" quanto "dominador" e d'Abo por conseguir transmitir a inocência inicial de Amanda. Epsicokhan gostou de como a história comparava o idealismo do capitão Jean-Luc Picard com o poder absoluto dos Q, resumindo o episódio como "uma boa ficção científica sobre uma escolha única". Salvador Nogueira da Trek Brasilis comentou que os temas da história eram abordados com sutileza, abrangência e criatividade, usando os aparentemente ilimitados Q para falar sobre limitações. Mesmo assim, Nogueira achou que isso teve o efeito negativo de erodir a "singularidade" dos Q, tornando-os demasiado humanos. Ele de forma geral gostou do episódio, mas achou que havia muito "material supérfluo".

Mídia caseira "True Q" foi lançado em LaserDisc no Japão em 21 de dezembro de 1997 como parte da coleção da primeira metade da sexta temporada, enquanto nos Estados Unidos foi lançado no mesmo formato em 5 de maio de 1998 junto com o episódio "Schisms". Foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2002 como parte da coleção da sexta temporada. Foi remasterizado e lançado em Blu-ray em 24 de junho de 2014 como parte da coleção da sexta temporada.

Referências

Bibliografia Block, Paula; Erdmann, Terry (2012). Star Trek: The Next Generation 365. Nova Iorque: Abrams. ISBN 978-1-4197-0429-1 Gross, Edward; Altman, Mark A. (1995). Captains' Logs: The Unauthorized Complete Trek Voyages. Boston & Nova Iorque: Little Brown & Co. ISBN 978-0-3163-2957-6 Nemecek, Larry (1995). Star Trek: The Next Generation Companion 2a ed. Nova Iorque: Pocket Books. ISBN 0-671-88340-2

Ligações externas "True Q" (em inglês) no IMDb