Claudia Meireles

Controle do movimento e sensação de estabilidade estão entre atrativos de quem prefere treinar descalço; médico avalia o hábito

Silvana Sousa, Claudia Meireles

28/09/2026 02:00

Reprodução/ Canva

Treinar descalço é um hábito que tem ganhado espaço entre os praticantes de exercícios físicos. A influenciadora Virginia Fonseca, por exemplo, chamou atenção ao aparecer realizando exercícios de musculação sem tênis. Apesar da popularidade, a prática exige cuidados, já que os riscos podem variar conforme o tipo de exercício, o perfil do indivíduo e o impacto da atividade.
Os principais atrativos apontados entre os que aderem estão fatores como maior controle do movimento e sensação de mais estabilidade.
Na avaliação do ortopedista e traumatologista Alexandre Alberi, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte, atividades voltadas ao equilíbrio e à propriocepção, bem como determinados exercícios funcionais específicos para pés e tornozelos, podem ser realizados com contato direto entre os pés e o chão.
Getty Images
Quem treina descalço relata melhora no equilíbrio e no controle de movimento
Por outro lado, exercícios de impacto devem continuar sendo feitos com calçados adequados, principalmente por causa da sobrecarga mecânica.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
“A musculação deve ser realizada com um tênis de plataforma mais rígida e estável, evitando calçados com muito amortecimento. O tênis serve como proteção contra eventuais acidentes durante a atividade”, ressalta o especialista.
Riscos de treinar descalço
Segundo o médico, não há de fato uma grande vantagem biomecânica que justifique, de maneira geral, a realização dessas atividades sem calçado.
Existe, ainda, a possibilidade de ferimentos externos por conta da ausência de proteção e amortecimento, o que pode ocasionar em problemas mais sérios relacionados ao atrito e impacto, especialmente em atividades como a corrida.
Canva/Reprodução
Exercícios de equilíbrio, como yoga, podem ser executados sem sapatos
“Além dos riscos externos, como cortes, bolhas e queimaduras, temos os riscos por sobrecarga mecânica. Quando corremos sem um tênis que auxilia na pisada e no amortecimento, podemos ficar mais predispostos a lesões, como tendinopatias do Aquiles, fraturas por estresse, edema ósseo, lesões nos ossos sesamoides e sobrecargas articulares”, explica.
Grupo de risco
O ortopedista chama atenção ainda para grupos que precisam de cuidados redobrado e, em alguns casos, não devem aderir à prática. Entre eles, pessoas com diabetes, lesões arteriais e neuropatias periféricas, condições que podem reduzir a sensibilidade dos pés e dificultar a percepção de possíveis ferimentos.
Reprodução/ Canva
Pacientes com diabetes e lesões previas não devem treinar descalço
“Pessoas com deformidades nos pés que restringem a área de carga, deformidades evolutivas, lesões prévias, histórico de fraturas por estresse, osteoporose e cirurgias anteriores, caso queiram realizar atividades descalças, precisam passar por uma avaliação rigorosa com um especialista”, destaca.
Embora treinar descalço possa fazer sentido em exercícios específicos, a prática não deve ser adotada indiscriminadamente, reitera o profissional.
Para saber mais, siga o perfil de Vida&Estilo no Instagram.

