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O presente que brilha também pode machucar

Você sabe o que existe dentro daquele brinquedo de luzes e sons? Se a resposta inclui uma pilha pequena ou um ímã, vale ler isto antes de comprar ⬇️

O presente mais brilhante da prateleira pode ser o mais perigoso da casa. Pediatras com duas décadas de plantão repetem o mesmo aviso: brinquedo com bateria de botão e ímã pequeno é uma combinação que tira o sono de quem trabalha em emergência. A pilha-moeda parece inofensiva, mas poucos minutos de distração bastam para transformar a brincadeira em cirurgia.

Por que a bateria de botão preocupa tanto os pediatras?

Porque a bateria de botão libera uma reação química capaz de queimar o esôfago de uma criança, mesmo quando ela parece bem. Em contato com os tecidos úmidos, o lado negativo produz uma substância cáustica. Duas crianças de 14 e 24 meses, descritas na revista Frontiers in Pediatrics, tiveram sangramento grave depois de um intervalo sem sintomas.

O silêncio inicial é o grande problema. A Sociedade Brasileira de Pediatria lembra que grande parte das ingestões não é presenciada e passa sem sintomas, e que as complicações graves podem surgir se o objeto não for retirado em até duas horas. Num hospital pediátrico de Ancara, na Turquia, só 8,3% das 72 crianças tinham sintomas ao chegar ao pronto-socorro.

Ingestão de baterias por crianças dobra em 20 anos - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que muda quando existe um ímã pequeno junto?

Dois ou mais ímãs pequenos engolidos podem se atrair através das paredes do intestino e provocar lesões graves. Um estudo com 151 crianças concluiu que a ingestão de vários ímãs traz risco alto de perfuração, maior que o da bateria isolada. Os ímãs de neodímio, usados em alguns brinquedos de montar, estão entre os mais potentes.

Quando bateria e ímã são engolidos juntos, o perigo se soma. Um relato na revista Pediatric Emergency Care descreveu duas crianças nessa situação: uma precisou de cirurgia no intestino, a outra teve evolução tranquila.

Os sinais costumam parecer uma virose qualquer. Fique atento a estes quatro pontos:

- Dor abdominal que não passa

- Vômitos repetidos

- Febre sem outra causa aparente

- Ausência de sintomas não descarta o problema

Quantas crianças chegam ao pronto-socorro por engolir objetos?

Nos Estados Unidos, mais de 759 mil crianças menores de seis anos foram avaliadas por suspeita de ingestão de objetos entre 1995 e 2015, segundo estudo divulgado pelo Nationwide Children's Hospital. A pesquisa saiu na revista Pediatrics. Crianças de 1 a 3 anos somaram 62% dos casos.

Os números ajudam a enxergar a velocidade dessa escalada. O quadro abaixo compara o começo e o fim do período estudado.

📊 Crianças atendidas por engolir objetos: 1995 e 2015

📅1995

Cerca de 22 mil casos, ou 61 por dia, entre crianças menores de seis anos.

📅2015

Quase 43 mil casos, ou 118 por dia, no mesmo grupo de idade.

📈Taxa por 10 mil crianças

Alta de 91,5%, de 9,5 para 18 casos.

Fonte: Nationwide Children's Hospital, estudo publicado na revista Pediatrics (2019), com dados do sistema NEISS.

No Brasil, o manual da entidade pediátrica aponta as moedas como principais objetos engolidos, seguidas por baterias, objetos perfurocortantes e ímãs. Cerca de 20% de todos os casos de corpo estranho exigem retirada por endoscopia. Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Pediatria montou uma força-tarefa para criar estratégias contra os casos de bateria de botão.

Como evitar que o presente vire emergência?

Escolha brinquedos com compartimento de bateria fechado por parafuso e guarde ímãs e pilhas fora do alcance dos pequenos. Em datas de presente, como Dia das Crianças e Natal, estes cuidados cabem na rotina de qualquer família.

- Compre só brinquedos com selo do Inmetro e faixa etária na embalagem.

- Confira se a tampa da bateria só abre com chave de fenda.

- Evite brinquedos com ímãs pequenos e soltos para crianças menores.

- Guarde controles, chaveiros, relógios e cartões musicais com pilha-moeda em local alto.

- Descarte pilhas usadas na hora, longe de qualquer criança.

- Avise avós, tios e padrinhos antes de a festa começar.

No Brasil, a certificação de brinquedos é obrigatória desde 1992, segundo o Ibametro, órgão que representa o Inmetro na Bahia. O selo indica que o produto passou por ensaios de segurança, mas não substitui a vigilância dentro de casa.

Converse também com a criança maior, que costuma abrir os brinquedos do irmão menor por curiosidade. Explique que pilhas e ímãs não entram na brincadeira.

O que fazer se a criança engolir uma bateria ou um ímã?

Procure um pronto-socorro na hora, mesmo que a criança pareça bem, e não provoque vômito. Leve a embalagem ou o brinquedo para ajudar a equipe a identificar o modelo da bateria.

Que tal revisar hoje as gavetas e os brinquedos de casa e mandar este alerta para quem vai dar presente à sua família?