O Faquir (o indiano misterioso) (título original em francês: Le Fakir (mystère indien)) é um curta-metragem mudo francês de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 71 do catálogo Star Film, é um dos primeiros filmes de trucagem de Méliès e possivelmente o segundo a empregar o stop trick de forma intencional, imediatamente após Escamotage d'une dame chez Robert-Houdin (#70). O filme tem por tema um faquir indiano executando ilusões mágicas — figura que reflete o imaginário orientalista prevalente no entretenimento popular europeu de fins do século XIX. O filme é atualmente considerado perdido.
Enredo Não há descrição do catálogo Star Film para este título e nenhuma cópia sobreviveu. Infere-se pelo título que o filme mostrava um faquir de origem indiana executando ilusões mágicas, provavelmente com recurso ao stop trick — técnica que Méliès havia acabado de aplicar pela primeira vez no filme anterior.
Produção
O stop trick no segundo filme de trucagem O Faquir (o indiano misterioso) sucede imediatamente Escamotage d'une dame chez Robert-Houdin (#70) no catálogo Star Film, o que sugere que Méliès passou a aplicar o stop trick de forma sistemática logo após dominá-lo. A proximidade numérica dos dois títulos indica que foram produzidos em sequência, possivelmente no mesmo período de filmagens no jardim da casa de Méliès em Montreuil-sous-Bois. O tema do faquir oriental era particularmente adequado para a demonstração do stop trick: as ilusões de desaparecimento, transformação e levitação associadas ao imaginário do faquir correspondiam precisamente aos efeitos que a nova técnica cinematográfica permitia criar.
O faquir como personagem do Orientalismo No imaginário popular europeu de fins do século XIX, o faquir indiano era uma figura associada a poderes sobrenaturais — levitação, desaparecimento, hipnose, resistência à dor —, alimentada pelas narrativas coloniais francesas e britânicas sobre a Índia. Essa imagem do "Oriente misterioso" circulava amplamente em espetáculos de variedades, romances de aventura e imprensa ilustrada, tornando o faquir um personagem imediatamente reconhecível e carregado de expectativas de maravilha para o público parisiense de 1896. Méliès explorava esse imaginário como veículo para suas ilusões cinematográficas, num contexto em que a fronteira entre o exotismo encenado e o estereótipo colonial era inexistente para o público da época.
Revisitação do tema em 1908 Méliès retornou ao tema do faquir oriental doze anos depois, com Le Fakir de Singapour (#1253–1257, 1908) — um filme sobrevivente que mostra um faquir executando ilusões elaboradas com ovos, animais e pessoas, num cenário exótico pintado com grande detalhe. Embora não haja documentação que confirme uma relação direta entre os dois filmes, a revisitação do mesmo tema com recursos cinematográficos muito mais sofisticados ilustra a trajetória de Méliès entre os seus primeiros experimentos com o stop trick em 1896 e o domínio pleno da linguagem do cinema de truques na fase madura da Star Film.
Contexto no catálogo Registrado sob o número 71 do catálogo da Star Film, O Faquir (o indiano misterioso) é precedido por Escamotage d'une dame chez Robert-Houdin (#70) e seguido por L'Hôtel empoisonné (#72). Cada bobina de 20 metros correspondia a um único número de catálogo e equivalia a aproximadamente um minuto de projeção — convenção adotada sistematicamente pela Star Film em sua primeira fase de produção.
Preservação O filme é considerado perdido. Nenhuma cópia ou fragmento foi localizado em arquivos ou coleções conhecidas.
Ver também Georges Méliès Star Film Company Stop trick Escamotage d'une dame chez Robert-Houdin Filme perdido
Notas
Referências
Ligações externas O Faquir, o indiano misterioso no IMDb