É nos bastidores de grandes realities, como A Fazenda 18, que um dos trabalhos mais sensíveis e importantes para manter o bom funcionamento dos programas acontece. A psicóloga Débora Tabacof, junto com sua equipe, dá apoio psicológico aos participantes antes, durante e depois do reality show. Débora teve sua primeira experiência com a área na Casa dos Artistas, ao lado do diretor do núcleo de realities da RECORD, Rodrigo Carelli. Eles viram — e participaram — do nascimento do primeiro reality show do Brasil. De lá, a psicóloga não parou mais. Débora estava presente em todas as temporadas de A Fazenda, Power Couple Brasil, Dancing Brasil e diversos outros programas de entretenimento da emissora. Hoje, inclusive, acompanha os peões da 18ª temporada do reality rural.Ao R7 Entrevista, Débora lembrou o início da carreira, contou curiosidades dos bastidores de realities, falou sobre a criação da Psicologia da Fama e de seu livro, Um Lama Tibetano na Amazônia.Confira a entrevista na íntegra:R7 Entrevista: Como foi o seu primeiro contato com a psicologia e o que a motivou a seguir essa carreira?Débora Tabacof — Venho de uma família em que muitos se dedicam à medicina e à psicologia, onde falamos muito dos problemas e nos interessamos por conhecer as causas das doenças e da saúde. O diálogo e o debate sempre foram incentivados por meus pais, e a crença no poder da linguagem, base da psicologia, é parte da minha personalidade. No início da minha carreira, trabalhei com terapias corporais, arte-educação e no Projeto Saúde e Alegria, um projeto social de saúde comunitária na Floresta Amazônica. Foi quando comecei a trabalhar com reality shows na Casa dos Artistas, em 2001, que passei a estudar a psicanálise criada por Jacques Lacan para entender e atuar como psicóloga de celebridades. A motivação de estudar psicologia vem do interesse pelo estudo teórico e pela formação continuada; dos benefícios para a vida das pessoas que fazem psicoterapia e do meu próprio processo de análise e autoconhecimento, forças motrizes do meu trabalho. Houve um tempo em que a psicologia era vista como algo para loucos, mas hoje ela está popularizada como uma ferramenta de conhecimento e autoconhecimento, e os benefícios são sentidos e necessários em toda a sociedade.R7 Entrevista: Como surgiu o convite para a Casa dos Artistas? Teve uma preparação diferente para lidar com os participantes?Débora Tabacof — A Casa dos Artistas foi um susto! A única coisa que se sabia é que seria necessária uma psicóloga para acompanhar aquele confinamento de pessoas em uma casa monitorada por câmeras até embaixo d’água. Na Casa dos Artistas original, adaptada de uma mansão no bairro do Morumbi (SP), vizinha à casa do Silvio Santos, até dentro da piscina havia uma câmera oculta. Tudo era novo e desconhecido, tanto por quem trabalhava no projeto quanto pelo público. Exigiu muita coragem para eu me comprometer com a saúde mental dos participantes, mas o convite pareceu irrecusável e certamente foi um grande desafio. Assim que os participantes se mudaram para dentro da Casa e o programa foi ao ar, eu fiquei siderada, hipnotizada pelas cenas do cotidiano, até então jamais exibidas publicamente e que me prendiam por horas a fio atrás dos vidros que separavam o lugar onde estavam os participantes, os quartos e salas da mansão, dos corredores escuros onde ficavam instaladas as câmeras. Vivi o que o público cativo de realities vem sentindo de modo crescente desde então: a captura do olhar e a curiosidade cheia de adrenalina e endorfina que permite ver ‘o proibido’; a oportunidade de ver sem ser visto. Não é à toa que o símbolo do buraco da fechadura era usado como chamariz do público para espiar o proibido. Vivíamos um outro tempo, praticamente sem rede social, com a internet ainda incipiente. Aquele foi um reality show em que a estreia se deu num programa de auditório; a eliminação realizava-se numa votação feita pelo apresentador no palco, conversando com dez pessoas do público pelo telefone fixo. Hoje, contam-se milhões de votos pelo celular. Vivi uma experiência inovadora. A Casa dos Artistas foi um estrondoso sucesso, em que o elemento surpresa teve muita relevância, sem nenhuma preparação dos participantes, que entraram para o confinamento sem nenhuma preparação prévia. Foi um fenômeno inigualável.R7 Entrevista: Em A Fazenda, os peões têm acesso ao ar livre do campo e aos animais. Isso auxilia na saúde mental ou nada alivia a pressão de um reality?Débora Tabacof — Essa pergunta me faz lembrar a primeira conversa que tive com Carelli a caminho de Itu (SP), a primeira sede do reality, quando me apresentou um novo projeto, A Fazenda 1, em que celebridades ficariam confinadas em uma zona rural fazendo todos os trabalhos do campo. Ele me disse que A Fazenda seria bem melhor para o bem-estar dos participantes, já que poderiam ver o pôr do sol, o horizonte e que estariam com animais junto à natureza. Ele estava certo: a convivência com os animais e o espaço externo têm um efeito de descarga das tensões e são recursos para a modulação do estresse. O trabalho diário de cuidados da horta, do jardim, de cada um dos animais e suas respectivas lidas é organizador do tempo, da rotina, minimiza o tempo ocioso e também funciona como suporte à saúde mental do participante.Há que se lembrar, no entanto, que a maior fonte do estresse dentro do confinamento, assim como na nossa vida real, advém das relações interpessoais e da lida com as próprias emoções nas diferentes relações. Estar sendo assistido ‘por todo o Brasil’ é estressante. Para que a natureza externa possa colaborar na diminuição do sofrimento psíquico, a pessoa precisa aprender a respirar com consciência, a relaxar no afeto dos bichinhos e a utilizar os recursos do espaço externo como apoio para abrir o espaço mental.R7 Entrevista: Você também participa da seleção dos participantes? Débora Tabacof — Eu e minha equipe nos dispomos a acompanhar os participantes já contratados pela emissora, dando a cada um o suporte adequado para vivenciar a experiência do reality. Não vetamos nem indicamos participantes, mas estamos ali do início ao final do processo, dando o suporte adequado para cada um.R7 Entrevista: Na sua opinião, qual é o maior desafio psicológico que os peões enfrentam em A Fazenda?Débora Tabacof — Dentre os muitos enfrentamentos difíceis do confinamento, enumero como muito difíceis o compartilhamento da convivência, o afastamento da família e das informações de fora, bem como a sujeição às regras do jogo, mas o sofrimento mental mais frequentemente relatado é a rejeição por parte do público e dos demais participantes. R7 Entrevista: Episódios de crise e brigas intensas estão cada vez mais presentes no reality. Qual é o papel da intervenção psicológica nestes momentos? Débora Tabacof — Ao longo de todos esses anos, observei que o que se passa na dinâmica interior de cada uma das temporadas é o reflexo, ao pé da letra, da realidade externa social e política do momento. A violência dentro dos programas de televisão reflete a violência crescente. A internet dá visibilidade aos posicionamentos irresponsáveis anônimos. Será que não estamos numa sociedade que banaliza a agressividade nos meios de comunicação e nas relações interpessoais? O que acontece dentro do reality não é diferente do que acontece na nossa sociedade, e a intervenção psicológica para ambas as realidades, tanto dentro quanto fora do reality, é a aplicação da lei. Regras claras são protetivas. A contenção da violência exige o controle dos próprios impulsos agressivos, dando lugar ao debate, ao diálogo, à diplomacia, como forma de relacionar-se. É através do uso da linguagem que podemos substituir a agressão pelas ideias faladas e o reality como um lugar de expressão e crescimento pessoal.R7 Entrevista: De que forma a superexposição nas redes sociais impacta a psique de ex-participantes de reality shows? Débora Tabacof — O impacto dos haters é brutal sobre quem sofre um cancelamento. Me preocupa o prazer das pessoas aqui fora em participar de linchamentos públicos. Não há validade educativa nessa forma de expressão massificada do ódio coletivo sobre um sujeito. Nas vítimas do ódio anônimo da internet, vejo mais doses de covardia do que de conscientização. Em termos da saúde mental social, cabe às pessoas que estão fora, ao público, relativizar o seu prazer em destruir uma vida ou uma carreira para apontar o deslize ou a falta, pois as acusações impactam profundamente na saúde mental, na vida e na profissão das pessoas atingidas em superexposição midiática. Erros são parte de todos nós. Projetar o negativo sobre o outro é uma forma de alívio mental que a psicologia ajuda a conter, a inverter. É claro que existem os ganhos da superexposição em termos comerciais e de autopromoção, mas é no aspecto da difamação que o impacto é pior.R7 Entrevista: Você é criadora da Psicologia da Fama. Como funciona essa abordagem?Débora Tabacof — A Psicologia da Fama não se aplica apenas aos participantes de realities e nem somente a artistas consagrados. Hoje, qualquer pessoa pode ter o seu círculo de influência, seu fã-clube de seguidores e se tornar uma pessoa famosa em sua bolha, através de sua própria rede social. A Psicologia da Fama está a serviço do criador, atrás da criatura, do ator que sustenta o personagem, do conteúdo latente antes que se manifeste. A Psicologia da Fama instrumentaliza e estrutura a expressão pessoal.A fama tornou-se um objeto muito desejado no mundo, pois promete poder pessoal, influência, visibilidade e, pela rede social, pode ser um gerador de fortunas. A Psicologia da Fama está aqui para dar o suporte emocional e cognitivo, ajudando a estruturar o sujeito em seu contato com o público. No círculo íntimo, alguém que conquistou um espaço de ascensão pública às vezes é visto como alguém especial. Acreditar-se como alguém especial é algo que precisa ser investigado e trabalhado terapeuticamente. A natureza da fama é cíclica, instável, oscila entre sucessos e derrotas, e é preciso fortalecer um centro interno para obter verdadeiros benefícios de ser um influenciador da sociedade.R7 Entrevista: Você continua atuando como psicóloga em A Fazenda? Débora Tabacof — Minha equipe está pronta para acompanhar todos os participantes de A Fazenda 18 que já foram entrevistados por nós. O objetivo das entrevistas preliminares é criarmos um vínculo de confiança mútua para os momentos de necessidade, considerando as regras do programa.Estou curiosa para ver o que a inter-relação entre as pessoas irá revelar nesta temporada. R7 Entrevista: Recentemente, você lançou o livro Um Lama Tibetano na Amazônia. Conte sobre a obra e as novidades da carreira!Débora Tabacof — Trabalho como ativista ambiental desde 1989, e meu livro Um Lama Tibetano na Amazônia conta minha história. Recentemente, gravei o podcast Life with a Lama Healer que também conta, em inglês, minhas atividades de caráter social e ambiental. Em fevereiro de 2027, daremos continuidade às viagens à floresta amazônica, conduzindo um grupo de pessoas para vivenciar uma integração comunitária no rio Tapajós. Estão abertas as inscrições para esta incrível jornada! Fique ligado! A Fazenda 18 vai ao ar de segunda a sábado, às 22h45, e aos domingos, às 23h, na tela da RECORD. Assine o RecordPlus e tenha acesso às câmeras 24 horas.

Débora Tabacof explica trabalho em A Fazenda: ‘Não vetamos participante, mas estamos ali do início ao final dando o suporte’
Débora Tabacof explica trabalho em A Fazenda: ‘Não vetamos participante, mas estamos ali do início ao final dando o suporte’ · Imagem: Source: noticias.r7.com
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Débora Tabacof é a psicóloga de diversos realities da RECORD Reprodução/Instagram
Débora Tabacof é a psicóloga de diversos realities da RECORD Reprodução/Instagram · Imagem: Débora Tabacof é a psicóloga de diversos realities da RECORD Reprodução/Instagram
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Débora é a criadora da Psicologia da Fama Reprodução/Instagram
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Débora tem parceria sólida com Rodrigo Carelli e grandes artistas Reprodução/Instagram
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Babi Borges e Iran Malfitano são leitores de Débora Reprodução/Instagram
Babi Borges e Iran Malfitano são leitores de Débora Reprodução/Instagram · Imagem: Babi Borges e Iran Malfitano são leitores de Débora Reprodução/Instagram
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Débora conta a própria experiência no livro Reprodução/Instagram
Débora conta a própria experiência no livro Reprodução/Instagram · Imagem: Débora conta a própria experiência no livro Reprodução/Instagram
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