O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI) apelou aos governos para que incluam o aumento da capacidade aeroportuária em seus planejamentos econômicos e de infraestrutura nacionais de longo prazo. A entidade ressalta que, embora o setor aeroportuário global precise de US$ 4,6 trilhões em investimentos até 2055 para acompanhar o crescimento previsto, a solução não passa apenas pela construção de novas infraestruturas, mas sim por otimizar as já existentes, fortalecer a cooperação com companhias aéreas e fornecedores de navegação e adotar regulamentações estáveis que atraiam capital.Nesse contexto, a modernização das regras de slots e do acesso ao mercado torna-se um ponto estratégico central. ACI World reforça junto a reguladores globais que a gestão de slots deixou de ser um mero arranjo técnico de horários e passou a ser uma decisão de interesse público decisiva, capaz de moldar a conectividade, a concorrência e o desenvolvimento socioeconômico das regiões nos próximos anos.“Estamos pedindo aos governos que se planejem com antecedência para o crescimento da aviação, viabilizem a capacidade antes de atingir um ponto de crise e modernizem os quadros regulatórios e as políticas de slots. E não podemos pedir aos aeroportos que ampliem a capacidade enquanto limitamos suas formas de financiá-la. Isso simplesmente não funciona”, afirmou Justin Erbacci, direitor-geral de ACI World.Rafael Echevarne, diretor-geral de ACI-LAC, reforçou que a modernização das políticas de slots aeroportuários é fundamental para fortalecer a conectividade, ampliar a concorrência e impulsionar o crescimento econômico sustentável na América Latina e no Caribe.“Em toda América Latina e Caribe, os governos estão trabalhando para expandir o turismo e atrair investimentos. Políticas modernas de slots podem ajudar a apoiar essas prioridades, fazendo o melhor uso da capacidade aeroportuária disponível. Os slots são mais do que um processo operacional. Eles são uma ferramenta política estratégica que o acesso aos mercados.”Tráfego global bate recorde e América Latina e Caribe avança em meio aos desafiosDurante o WAGA 2026 - ACI-LAC / ACI World Annual General Assembly & Exhibition, que este ano é organizado em conjunto por ACI World e ACI-LAC e tem Lima Airport como anfitrião, foram apresentadas também as projeções de expansão do tráfego aéreo. O tráfego mundial de passageiros deve dobrar até 2047 em relação aos níveis de 2025, com uma taxa média de crescimento anual de 3,5%. Após atingir o recorde de 9,8 bilhões de passageiros em 2025, o crescimento da aviação mundial desacelerou no primeiro semestre de 2026: foram 4,7 bilhões de passageiros, uma alta de apenas 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.Em relação à América Latina e Caribe, a previsão é de que o tráfego de passageiros atinja os 809 milhões em 2026 e que dobre até 2045, chegando a 1,5 bilhão de passageiros. Segundo Rafael Echevarne, para absorver o fluxo crescente de passageiros e garantir a qualidade dos serviços, ACI-LAC estima a necessidade de US$ 178 bilhões em investimentos nos próximos 30 anos para a modernização e expansão aeroportuária na América Latina e Caribe.Echevarne fez ainda um alerta sobre o desaquecimento da aviação regional. Em comparação com os níveis pré-pandemia de 2019, 133 aeroportos com este perfil registraram queda na movimentação de passageiros e quase 20% das rotas entre pares de cidades foram perdidas. Para reverter esse cenário e incentivar o crescimento do tráfego aéreo, ACI-LAC defende a liberalização e desregulamentação do setor, indo além dos acordos bilaterais tradicionais e eliminando barreiras administrativas para incentivar a concorrência e ampliar a conectividade na região. “ACI-LAC tem isto muito claro: está demonstrado em nível global que a liberalização impulsiona o transporte aéreo. O que precisamos é que os governos passem da assinatura de acordos à ação.”, comentou o diretor-geral da ACI-LAC.Veja outros destaques do 1º dia de WAGA 2026 - ACI-LAC / ACI World Annual General Assembly & Exhibition- Abertura: Conduzida por Dalia Suárez Salazar (vice-ministra de Comunicações do Peru) e Juan José Salmón (CEO do Lima Airport).- Segurança e Inovação: Maria Rueda (EASA) abordou transformação digital, automação e sustentabilidade.- Turismo Estratégico: Liz Chirinos Cuadros (vice-ministra do Turismo do Peru) destacou o setor como motor do desenvolvimento nacional.- Infraestrutura e Conectividade: Painéis debateram o impacto econômico dos aeroportos e estratégias de investimento regional.- Liderança Global: Executivos dos cinco continentes discutiram desafios e soluções conjuntas para o futuro da aviação.É possível acessar a programação completa do evento clicando aqui.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









