Estudo da plataforma Tunad revela a importância das bets para as receitas publicitárias de emissoras atingidas pela MP do governo federal

Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

26 set 2026 - 10h10

Redes de TV sofrerão forte impacto com a perda das receitas publicitárias das bets
Redes de TV sofrerão forte impacto com a perda das receitas publicitárias das bets · Imagem: Redes de TV sofrerão forte impacto com a perda das receitas publicitárias das bets Foto: Ilustração criada por IA

(atualizado às 10h11)

Imagem da matéria: Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Imagem da matéria: Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

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Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

- Por: Jeff Benício

Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

A medida provisória que proíbe as bets vai atingir as contas do mais importante veículo de comunicação do país, a televisão.

Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

A coluna teve acesso a um levantamento da plataforma de inteligência de mídia Tunad. Entre janeiro e agosto, as empresas de apostas esportivas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta.

Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes
Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

As apostas são a categoria que mais anuncia nos grandes canais, representando 29,2% do total. Na sequência, aparecem streamings (23,8%), cosméticos (17,5%), bancos digitais (15,8%) e veículos (13,8%).

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Imagem da matéria: Casas de apostas investiram R$ 542,4 milhões na TV aberta entre janeiro e agosto, liderando o ranking de anunciantes · Imagem: Source: www.terra.com.br

O mês com pico de propaganda de apostas na TV foi março, com R$ 119,6 milhões investidos.

Âncora do 'JN', César Tralli será o mediador do debate presidencial na Globo Foto: Reprodução
Âncora do 'JN', César Tralli será o mediador do debate presidencial na Globo Foto: Reprodução · Imagem: Source: www.terra.com.br

Nesses oito meses, as dez marcas que mais ocuparam espaços publicitários nos canais foram:

Zema, Caiado, Lula, Cury e Renan nas entrevistas veiculadas no 'Jornal da Record' Foto: Reproduções
Zema, Caiado, Lula, Cury e Renan nas entrevistas veiculadas no 'Jornal da Record' Foto: Reproduções · Imagem: Source: www.terra.com.br

1º - Bet do Milhão, pertencente ao Grupo Silvio Santos (R$ 109,5 milhões);

Os telespectadores 60+ garantem a relevância da televisão aberta, mas não são valorizados pelas emissoras Foto: Ilustração feita por IA
Os telespectadores 60+ garantem a relevância da televisão aberta, mas não são valorizados pelas emissoras Foto: Ilustração feita por IA · Imagem: Source: www.terra.com.br

2º - Betano (R$ 106,9 milhões);

Âncora do 'JN', César Tralli será o mediador do debate presidencial na Globo Foto: Reprodução
Âncora do 'JN', César Tralli será o mediador do debate presidencial na Globo Foto: Reprodução · Imagem: Source: www.terra.com.br

3º - Betnacional (R$ 56,8 milhões);

Zema, Caiado, Lula, Cury e Renan nas entrevistas veiculadas no 'Jornal da Record' Foto: Reproduções
Zema, Caiado, Lula, Cury e Renan nas entrevistas veiculadas no 'Jornal da Record' Foto: Reproduções · Imagem: Source: www.terra.com.br

4º - Bet365 (R$ 54,6 milhões);

Os telespectadores 60+ garantem a relevância da televisão aberta, mas não são valorizados pelas emissoras Foto: Ilustração feita por IA
Os telespectadores 60+ garantem a relevância da televisão aberta, mas não são valorizados pelas emissoras Foto: Ilustração feita por IA · Imagem: Source: www.terra.com.br

5º -Superbet (R$ 53,9 milhões);

6º - BetMGM, que tem a TV Globo como sócia (R$ 43,9 milhões);

7º - Esportes da Sorte (R$ 28,1 milhões);

8º - Novibet (R$ 28,0 milhões);

9º - BetBoom (R$ 16,0 milhões);

10º - BETesporte (R$ 13,1 milhões).

A Bandbet, da Band, ficou fora dessa lista.

Globo, SBT, Band e RedeTV! terão perda significativa de faturamento com o rompimento dos contratos com as casas de apostas.

A líder de audiência, que lucrou R$ 1,49 bilhão em 2025, vai sofrer menos. Já as outras redes, com maior dependência dos pagamentos das bets pela compra de espaços nos intervalos, poderão enfrentar sérias dificuldades.

A ‘Sala de TV’ ouviu o CEO da Tunad, César Sponchiado, sobre o impacto da proibição das apostas nas emissoras.

“Quando uma única categoria movimenta mais de R$ 542 milhões em TV aberta em apenas oito meses e ocupa a liderança entre os maiores setores anunciantes, fica claro que estamos falando de uma verba que ganhou peso estrutural no mercado de mídia”, afirma.

“Qualquer mudança relevante nesse setor tem potencial para alterar de forma significativa a distribuição dos investimentos publicitários na televisão brasileira, e a grande questão passa a ser quem vai ocupar esse espaço.”

Redes de TV sofrerão forte impacto com a perda das receitas publicitárias das bets

Foto: Ilustração criada por IA

Fim das apostas e jogos online, e agora?

A advogada Ana Lacativa, fundadora da empresa de responsabilidade social Olho na Bet, questiona a eficácia da decisão do governo federal.

“Proibir não elimina a aposta. O apostador não some: migra para o mercado ilegal, onde ninguém o protege. O próprio governo já discute como conter o jogo clandestino depois da MP. Esse é o sinal de que o problema não se resolve por decreto”, explica.

“O caminho é educação financeira, fiscalização séria e transparência sobre quem cumpre a lei. Proibir é mais rápido, porém, menos eficaz. Educar é o que funciona.”

Opinião semelhante à de Gabriel Orsi, CEO da Barkus, empresa de impacto social e educação financeira.

“Restringir a oferta não faz desaparecer a dependência, o endividamento, a pobreza e a escassez que levam parte da população a buscar dinheiro rápido. Nem elimina o risco de migração para mercados ilegais”, afirma.

“Precisamos discutir o dia seguinte à proibição: como fiscalizar e conter a oferta clandestina. Criar mecanismos de proteção antes da perda de controle. Ampliar a prevenção e garantir tratamento para quem já desenvolveu uma relação problemática com o jogo. A questão das bets é também uma questão de saúde pública e inclusão financeira.”

Cabe agora, às redes de TV, enfrentar dois desafios: buscar a compensação pela falta das receitas publicitárias das casas de apostas e usar o jornalismo para informar e orientar o público sobre os riscos dos jogos clandestinos.

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