Milena Teixeira

Deputado afirma que fala de Constantino ultrapassou crítica política e pede investigação por suposta discriminação contra baianos

Milena Teixeira

06/10/2026 17:00, atualizado 06/10/2026 17:01

Reprodução/Youtube

O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou ao Ministério Público Federal na segunda-feira (5/10) representação contra o economista e comentarista político Rodrigo Constantino por declarações feitas contra a Bahia e os baianos após o resultado das eleições de primeiro turno.

No documento, Solla pede que Constantino seja investigado pela suposta prática do crime de discriminação, previsto no artigo 20 da Lei 7.716/1989. O deputado também solicita a adoção de medidas cautelares para retirar das redes sociais o vídeo que motivou a representação.

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Em vídeo, Rodrigo Constantino ataca baianos após vitória de Lula no estado
Reprodução Instagram Rodrigo Constantino
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Rodrigo Constantino em entrevista ao Metrópoles
Reprodução/ Youtube/ Metrópoles
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O comunicador Rodrigo Constantino
Reprodução/Youtube
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Deputado Jorge Solla
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
A manifestação de Constantino foi publicada no domingo (4), após a divulgação do resultado das eleições na Bahia. No vídeo, ele afirmou que “a Bahia é o câncer do Brasil” e classificou Salvador como “um lixo”.
O comentarista também disse que, durante uma visita ao estado, teria visto pessoas em bares em uma segunda-feira pela manhã e concluiu: “Ninguém quer trabalhar”. Em seguida, afirmou que os baianos, “com todas as boas exceções”, seriam “uma vergonha para o Brasil”.
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Constantino relacionou as declarações ao resultado eleitoral na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador e Rui Costa e Jaques Wagner, também do PT, foram eleitos para o Senado.
Deputado separa crítica política de suposta discriminação
Na representação, Solla afirma que não pretende questionar as críticas de Constantino ao PT ou aos candidatos apoiados pelo partido. Segundo o deputado, o alvo da denúncia são especificamente as declarações dirigidas à Bahia e aos baianos.
“A crítica ao Partido dos Trabalhadores e ao resultado eleitoral é livre e não é objeto desta representação. O que se denuncia é outra coisa: a atribuição, a uma coletividade inteira, de qualidades degradantes em razão de sua origem territorial”, diz o parlamentar.
Solla sustenta que expressões como “câncer”, “lixo” e “vergonha” teriam ultrapassado os limites da crítica política e caracterizado, em sua avaliação, uma forma de discriminação contra uma coletividade.
O deputado também cita no documento uma decisão da Justiça Federal envolvendo Mayara Petruso, que foi condenada por manifestações preconceituosas contra nordestinos feitas nas redes sociais após uma eleição.
Pedido ao Ministério Público
Solla pede que o Ministério Público Federal instaure uma Notícia de Fato e, posteriormente, um procedimento investigatório criminal ou requisite a abertura de inquérito pela Polícia Federal.
O deputado também solicita que sejam adotadas medidas para retirar o vídeo das plataformas digitais e impedir novas transmissões do conteúdo.
Outro pedido é para que as redes sociais preservem e forneçam registros relacionados à publicação, incluindo dados cadastrais e métricas de alcance.
Além da iniciativa de Solla, a Polícia Civil da Bahia instaurou procedimento para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades relacionadas ao vídeo. Segundo a corporação, o caso é investigado como possível xenofobia e as diligências seguem sob sigilo para preservar a apuração.
