A Austrália está aumentando as restrições contra óculos inteligentes em locais públicos por medo de gravações sem consentimento. A cidade de Sydney passou a proibir os dispositivos em piscinas, academias, creches, bibliotecas e prédios municipais, seguindo medidas semelhantes adotadas por outros conselhos locais do país. A regra também prevê restrições em áreas como vestiários de instalações esportivas. A justificativa está ligada à dificuldade de perceber quando os óculos estão gravando, já que as câmeras ficam integradas à armação e podem registrar imagens sem que o usuário precise tirar o celular do bolso. A Austrália Ocidental adotará uma medida separada a partir de 12 de outubro. Alunos, professores, pais e prestadores de serviço não poderão usar ou guardar óculos inteligentes dentro das escolas públicas do estado. A decisão ocorre enquanto os dispositivos ficam mais acessíveis e chegam a diferentes marcas e faixas de preço. Em Sydney, haverá exceções para pessoas que dependem dos óculos por questões de acessibilidade, incluindo recursos voltados a pessoas com deficiência visual ou auditiva. Medida mira gravações sem consentimento O vereador Matthew Thompson, responsável pela proposta em Sydney, citou preocupações com casos de pessoas filmadas sem autorização. Ele também defendeu que o governo federal australiano avalie uma proibição da importação desses produtos até que existam regras nacionais mais claras sobre privacidade. A preocupação não é exclusiva da Austrália. No Reino Unido, óculos inteligentes com câmera foram proibidos nos tribunais da Inglaterra e do País de Gales, onde os dispositivos podem ser confiscados na entrada. A restrição busca evitar gravações discretas durante procedimentos judiciais. Óculos da Meta com câmeras podem ser banidos de cinemas do Reino Unido também, principalmente pelo risco de gravações clandestinas de filmes. Teatros, restaurantes e pubs já adotaram restrições em alguns casos. Meta tenta reduzir preocupação com privacidade Os óculos inteligentes da Meta estão entre os principais produtos responsáveis pela popularização da categoria. Os modelos atuais têm uma luz de LED que indica quando fotos ou vídeos estão sendo registrados, mas já surgiram formas de tentar burlar esse aviso. Em setembro, também foi divulgado que a Meta prepara o Luna, um modelo de óculos inteligentes sem câmera . A proposta mantém recursos de inteligência artificial, microfones e alto-falantes, mas elimina justamente o componente que mais gera preocupações relacionadas às gravações.






