O astronauta italiano Luca Parmitano, um dos quatro integrantes convocados para a missão Artemis III, o voo de teste da NASA previsto para 2027, meteu-se na polêmica gerada em torno à ausência de mulheres como parte da tripulação. "Faltam mulheres porque se priorizaram as necessidades da missão", apontou em coincidência com as explicações vertidas pela própria agência espacial sobre a conformação do grupo. Há algumas semanas, a NASA referiu-se a este tema em resposta às críticas despertadas pela conformação de Artemis III, integrada exclusivamente por homens. Após o anúncio oficial dos quatro astronautas que participarão do voo previsto para 2027, surgiram questionamentos sobre a ausência de mulheres em uma missão chave dentro do programa que busca preparar o retorno dos seres humanos à Lua. Nesse sentido, o administrador da agência espacial americana, Jared Isaacman, defendeu a decisão e assegurou que a seleção dos astronautas não foi influenciada por questões políticas. "O Escritório de Astronautas designa a tripulação que dá à missão a melhor possibilidade de cumprir seus objetivos", apontou através de suas redes sociais e deu por finalizado o debate. "Algo italiano no menu" Parmitano já havia saltado à fama, além de sua experiência no espaço, quando foi apresentado pela NASA como piloto da expedição. Durante o ato oficial, o integrante da Agência Espacial Europeia (ESA) combinou humor com emoção ao referir-se ao desafio que terá pela frente junto ao resto da tripulação. "Se não me engano, em Artemis II também tinham um creme de chocolate italiano muito famoso." "Então sim, espero que apareça algo italiano no menu", disse Parmitano à imprensa. O astronauta destacou que a gastronomia de seu país é "um tesouro da Unesco" e sustentou que "todo o mundo quer algo de comida italiana". Com 49 anos e duas filhas, Parmitano foi piloto de testes da Força Aérea Italiana antes de se tornar astronauta da ESA em 2009. Ao longo de sua carreira, completou duas missões na Estação Espacial Internacional e protagonizou algumas das caminhadas espaciais mais complexas dos últimos anos, incluindo uma em que seu capacete começou a encher-se de água devido a uma falha técnica que colocou sua vida em risco. Uma missão complexa e uma responsabilidade compartilhada Durante a conferência realizada no Centro Espacial Johnson, em Houston, Parmitano explicou que compartilhará as tarefas de pilotagem com o comandante da missão, Randy Bresnik. "Ambos somos pilotos de teste e a nave espacial precisa de uma tripulação de duas pessoas para operar." "Compartilhamos as responsabilidades", apontou. O astronauta admitiu que sua designação foi inesperada e garantiu sentir-se "muito humilde" diante da complexidade do trabalho que deverão realizar: "Sinto-me honrado por fazer parte deste incrível grupo e por me deixar voar". "É uma missão muito complexa", afirmou ao se referir aos ensaios que a tripulação levará adiante antes dos futuros tentativas de retorno de astronautas à superfície lunar. O que fará Artemis III Conforme informou a NASA ao apresentar a tripulação, Artemis III está prevista para 2027 e terá como objetivo realizar uma série de testes críticos em órbita terrestre utilizando dois módulos lunares distintos. A missão permitirá avaliar sistemas, procedimentos e capacidades operativas que serão fundamentais para as próximas etapas do programa Artemis, especialmente para a Artemis IV e as futuras expedições que buscarão estabelecer uma presença humana sustentada nas proximidades da Lua. A tripulação principal estará integrada por Parmitano, Bresnik, Andre Douglas e Frank Rubio. Durante a apresentação, os quatro destacaram o caráter internacional do time e a importância da cooperação entre agências espaciais. "Somos parceiros líderes" Parmitano aproveitou a ocasião para ressaltar o papel da Europa dentro do programa espacial dos Estados Unidos. O astronauta considerou que a escolha de um europeu como piloto constitui um sinal do nível de confiança alcançado entre a NASA e a ESA. "Somos parceiros sólidos." "Somos parceiros líderes", afirmou. Também celebrou a diversidade cultural da tripulação. Segundo explicou, todos os integrantes chegaram ao ato de apresentação usando as insígnias das instituições e países que representam. "As diferenças trazem diversidade e enriquecem a tripulação", concluiu. Com informações da AFP.















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