A AGU (Advocacia-Geral da União) prepara uma ofensiva com dados econômicos e sociais para defender no STF (Supremo Tribunal Federal) as novas medidas do governo contra as bets, um dos principais ativos da campanha de Lula pela reeleição na reta final para o primeiro turno.Interlocutores do governo afirmam que a AGU pretende demonstrar ao STF que o impacto das apostas vai além das perdas individuais dos jogadores e atinge consumo, endividamento das famílias, atividade econômica e o próprio SUS (Sistema Único de Saúde).Nesta segunda-feira (28), a AGU pediu ao ministro Luiz Fux um prazo de 72 horas para que ela e a Presidência da República possam responder aos questionamentos apresentados pela ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável).As duas entidades foram ao Supremo contra a medida provisória editada por Lula na sexta-feira (25), que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de jogos online no país.Entre os números levantados pela AGU está uma estimativa preliminar do Ministério da Fazenda, segundo a qual as apostas teriam retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025. Outro levantamento que será usado calcula em R$ 62,5 bilhões as perdas das famílias com apostas no mesmo período.A AGU também prepara dados para sustentar que os efeitos chegam ao sistema público de saúde. O material aponta crescimento de cerca de 140% nos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico entre 2018 e 2025.Outro eixo é o impacto sobre a saúde mental. Dados do LENAD III/Unifesp indicam que mais de 28 milhões de brasileiros apostaram nos 12 meses anteriores à pesquisa e que 10,9 milhões apresentariam padrão de risco ou problemático, com quadros de dependência, ansiedade, depressão, transtorno do jogo e ideação suicida.A tese que está sendo construída pela AGU é que existe uma espécie de transferência do custo das apostas: enquanto as plataformas ficam com a receita da atividade, parte das consequências financeiras, familiares e de saúde acaba absorvida pelos próprios apostadores, pelas famílias e pelo Estado.O governo também pretende chamar atenção para os grupos mais vulneráveis. O material aponta risco maior de jogo problemático entre pessoas de menor renda e cita dados segundo os quais um em cada cinco estudantes brasileiros já teria feito apostas online, apesar da proibição para menores de idade.As entidades do setor, por outro lado, argumentam no STF que a proibição pode empurrar apostadores para plataformas clandestinas e pedem a retomada das autorizações anteriores à MP.As ações sobre a regulamentação das bets já estavam sob relatoria de Fux antes da nova medida do governo. O Supremo discute, entre outros pontos, os impactos das apostas sobre consumidores, saúde mental, beneficiários de programas sociais e crianças e adolescentes.✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












